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sexta-feira, 22 de novembro de 2019
sábado, 19 de março de 2011
Conhece-te a ti mesmo – O que está embaixo está em cima; o que está em cima está embaixo.
Estimada Giselda,
Como eu já disse antes - e vou repetir - o Si mesmo representa a busca do homem inteiro, ou seja, a realização da sua totalidade com as funções psíquicas – sensação e intuição, pensamento e sentimento - equilibradas.
Entretanto, não é fácil auto conhecer-se. Ninguém pode nos levar para o autoconhecimento a não ser nós mesmos e, na maioria das vezes, contra a nossa vontade, e à custa de muitos tormentos, pois “o galho que não produzir frutos será cortado e lançado ao fogo”.
Parece-nos magnífico poder examinar as coisas que existem, como elas são ordenadas e para que objetivo, mas, fora do mundo limitado dos cinco sentidos existem níveis de manifestações que estão muito além do nosso conhecimento.
No entanto, existem algumas “chaves-mestras” que nos abrem dezenas de portas para o verdadeiro saber, nos libertando das algemas daquilo que mais tememos: o desconhecido.
Essas “chaves” são axiomas ou postulados “herméticos”, isto é, fechados, ininteligíveis, enigmáticos, assim chamados devido a sua origem ter sido atribuída a Hermes Trismegistus, o pensador “três vezes grande” que viveu há mais de 5000 anos no Egito Antigo.
Entre elas está o princípio de relação ou correspondência, implícito no postulado “o que está embaixo está em cima; o que está em cima está embaixo”.
Este postulado pode ser considerado uma Verdade porque parte do princípio de que tudo o que existe no Universo, todas as coisas criadas se originam da mesma fonte, isto é, da mesma Lei, e que há uma relação, uma analogia, uma correspondência entre as leis e os acontecimentos nos vários níveis de agir, de ser e existir.
“Aquilo que não está contido na causa, jamais poderá existir no efeito”.
A recente descoberta da Ciência sobre o ADN - Ácido DesoxirriboNucléico - onde está contida nossa informação genética sob a forma de genes - sendo o gene a unidade fundamental da hereditariedade - porventura não tem analogia com o postulado “hermético”? Sabendo que pai e filho têm um elo comum, não é por meio do teste de ADN que a criança abandonada na soleira da porta consegue encontrar os seus pais biológicos?
O que queria dizer o Nazareno, há mais de 2000 anos, com a frase “o filho está no Pai e o Pai está no filho”? Não seria, por acaso, que o seu ADN estava no Pai Universal e o ADN do Pai Universal estava nele?
Os postulados “herméticos” não podem ser verificados pelos sentidos, nem podem ser analisados pela inteligência, mas podem ser percebidos pela intuição espiritual, pela visão que vem de dentro.
Quando entendemos esta relação, abrimos uma porta para a maior e mais fascinante vivência espiritual humana: o universo inteiro passa a ser uma só humanidade, unida por um elo indestrutível de parentesco, onde tanto a divindade quanto os homens estão associados.
O Cosmo é uma árvore gigantesca possuindo uma grande quantidade de ramos menores, cada um ligado entre si, provenientes de outros maiores, todos ligados entre si, sendo todos eles provenientes de um tronco nutrido por uma raiz.
Portanto, vamos seguir as pegadas daqueles que vieram antes de nós.
Seremos questionadores incansáveis, colocando em cada caso um postulado, aquele que nós julgarmos o mais sólido.
Não praticaremos outro método que não seja o da investigação, manifestando nosso ponto de vista pessoal, enquanto ficamos livres para duvidar, fazer nossas próprias indagações e buscar a resposta mais plausível a respeito de quem somos, de onde viemos, e qual a razão de estarmos reunidos no meio dos vivos.
Com afeto.
Avô Pietro
domingo, 27 de fevereiro de 2011
O Oráculo de Delfos
Caro Mendel,
Na obra The Delphic Oracle, Joseph Fontenrose traz informações esclarecedoras a respeito do santuário religioso de Delfos.
Utilizando-se dos escritos de Heródoto e Plutarco, principalmente Plutarco, que conhecia bem o ritual adivinhatório, pois fora sacerdote do Oráculo, tendo até presenciado consultas e escutado as respostas, Fontenrose conclui que durante as sessões não havia vapores provenientes de fendas na terra, nem frenesi, nem delírio ou palavras desconexas que eram interpretadas por sacerdotes.
A própria Sacerdotisa respondia as consultas numa linguagem clara, direta e coerente.
Geralmente, a pessoa ia ao Oráculo em busca conselhos, sendo os motivos da consulta, na maior parte, político e religioso. O que devo fazer? Qual divindade eu devo agradar? Qual é a verdade sobre tal coisa? É melhor fazer desta ou daquela maneira?
Por exemplo: consultada pelos Espartanos se era preferível fazer guerra contra os Atenienses, a Sacerdotisa respondeu que “se lutarem com todas as forças, serão vitoriosos”.
Outro exemplo é o sacerdote embriagado que teve relações sexuais com uma mulher, e foi ao Oráculo, a fim de saber se havia absolvição para a sua ofensa, ouvindo da Sacerdotisa que “Deus perdoa todos os atos impensados”.
Querendo saber para onde tinha ido a alma de Plotino, um consultante ouviu que “ela havia retornando às delícias do paraíso, onde estavam Platão, Pitágoras e Minos”.
Ou, quando alguém indagou e a Sacerdotisa respondeu que não havia ninguém na Grécia mais sábio do que Sócrates, uma vez que o filósofo afirmava “só sei que nada sei”.
Portanto, aconselhamento com responsabilidade exigia da Sacerdotisa um profundo conhecimento de si - que supõe também o conhecimento do outro e uma grande intuição espiritual - e o conhecimento de como agem as leis eternas da Natureza, isto é, a lei do ritmo, a lei de ação e reação, a lei das polaridades e a lei de causa e efeito.
Profecias enigmáticas, igual a que as Parcas fizeram a Macbeth na obra de Shakespeare, dizendo que ele “jamais será vencido, até que a floresta de Birnham venha para Dunsinane”, são consideradas por Fontenrose lendas ou criações literárias, e dificilmente sairiam dos lábios da Sacerdotisa.
Com afeto.
Avô Pietro
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Conhece-te a ti mesmo” – escrito no alto do Templo de Delfos, na Grécia Antiga.
O autoconhecimento, ou conhecimento de si, não deve ser visto como um projeto de autocrítica, mas de natureza ética, onde se busca realizar algo que leve o homem a ser dono de si, que governe a si mesmo, que seja o comandante do seu destino e, portanto, um ser humano melhor.
É uma jornada em busca do homem inteiro, completo e da própria individualidade, a fim de descobrir quem sou, de onde vim e qual a razão de eu estar reunido no meio dos vivos.
O autoconhecimento deve ser entendido como uma conquista que traz liberdade, isto é, a ausência de submissão, de servidão, pois aquilo que não conheço me escraviza, e aquilo que conheço me torna livre.
Além do mais, um profundo conhecimento de si abre caminho para o conhecimento do outro.
Quando descobrimos quem somos, encontramos a paz interior, que é um estado de harmonia universal, de completude. Uma vez encontrada essa paz interior, podemos tomar decisões de acordo com a nossa consciência.
Então, haverá mais escolas e menos prisões, mais amor e menos violência, mais livros e menos armas, menos ganância e mais justiça, mais virtudes e menos vícios.
“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, ensinava, cerca de 2.000 anos atrás, o Nazareno, autor do mais perfeito código de relacionamento entre os homens.
Com afeto,
Avô Pietro
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Apresentação.
O avô Pietro, que nasceu no Velho Continente e atravessou oceanos para se estabelecer numa terra desconhecida, preenche o papel do sábio conhecedor dos segredos do cosmo e do significado da vida.
É esse conhecimento que ele deseja compartilhar com jovens e adultos, pais que foram netos e serão avôs, levando a descobrir sua essência, entender seu lugar no cosmo, ajudando-os na grande jornada da vida.
“Conhece-te a ti mesmo”, escrito no alto do templo de Delfos, na Grécia Antiga.
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